rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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saiu a matéria no Fantástico

Eis a primeira parte da matéria no Fantástico.

Como esperado, dado os últimos acontecimentos aqui relatados, nenhuma referência foi feita aos professores. Mas ainda bem que os alunos puderam aproveitar essa experiência de maneira completa! Espero que no próximo episódio do programa apareçam mais depoimentos deles, pois foram tantas gravações com as impressões deles e é bacana ouvir seus relatos, o que esperavam, o que estavam sentindo. Achei a matéria bacana no geral, mas bem poderia ter dado mais voz a esses ricos personagens que tanto contaram às câmeras sobre como planejaram elaborar os vídeos vencedores do concurso, como encararam o treinamento pré-antártico, como se tornaram amigos ao longo dessa jornada…

Atualização em 05/05/2015: segunda e última parte da matéria do Fantástico.

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segunda chance!

É isso aí, nossa tão esperada segunda chance está rolando! Mas só para alguns…

Em 24/11/2014 recebemos a tão aguardada convocação: o Tenente Rodrigo nos escreveu consultando a possibilidade de irmos para a Estação Antártica Comandante Ferraz no período de 10 a 16/01/2015. Ficamos radiantes! Porém, em 15/12/2014 os professores receberam um balde de água fria: essa nova tentativa de chegar a Estação seria só para os alunos. Embora felizes com a confirmação da viagem dos alunos, ficamos muito chateados por termos sido excluídos dessa oportunidade, ainda mais sem uma explicação sequer. Escrevemos ao Comandante Brandão, em nome da Secirm, procurando expressar nossa decepção e solicitando uma revisão da decisão. Imaginamos que existam limitações técnicas e orçamentárias envolvidas, mas pedimos que a Marinha encarasse a ida dos professores como um investimento na divulgação do trabalho que realiza, pois temos a capacidade, a disposição e o compromisso de alcançar muitos jovens ao longo dos anos que ainda estão por vir em nossas carreiras. E é o que desejaríamos fazer, especialmente tendo a oportunidade de conhecer de fato a estrutura da Estação Comandante Ferraz e o teor das pesquisas científicas lá apoiadas. Quando a Marinha do Brasil tomou a iniciativa de envolver professores e alunos no Concurso Cultural, tínhamos a certeza de que era esse o cálculo feito. Um dos principais méritos da estrutura do concurso era justamente pensar no longo prazo, na divulgação mais ampla, qualificada e apaixonada de professores de ciências. A decisão tomada nos deixou confusos quanto a esses objetivos, principalmente porque acabamos sequer recebendo uma resposta à nossa solicitação…

De qualquer forma, os alunos se encontraram no Rio de Janeiro no dia 10/01/2015 e desde estão estão a caminho da Estação. Que desta vez eles sejam bem sucedidos em, mais que pisar no continente gelado, como fizemos há quase um ano, poder acompanhar um pouco do cotidiano de pesquisas científicas em curso na base brasileira, conhecer os navios de apoio com laboratórios a bordo e percorrer trechos de um continente com geologia e biodiversidade únicas.

E quem sabe a Tamara não se anima de relatar um pouco do que estão vivenciando por lá pra que possamos acompanhar por aqui? Enquanto isso, é possível acompanhar cada detalhe de uma equipe de pesquisadores da UFMG que vem descrevendo de maneira muito rica e divertida as várias etapas de um projeto que estuda a biodiversidade de fungos na Antártica: MycoProjector.


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uma nova etapa da jornada

Infelizmente ainda não se refere ao possível retorno à Antártica…

Mas é também uma boa notícia: estamos, desde o retorno, em contato com a APECS-Brasil. Já tivemos o privilégio de receber a bióloga Sandra Freiberger em nossa escola para nos contar um pouco mais sobre sua experiência como pesquisadora no continente austral. Agora, a última edição do informativo da instituição trouxe um texto que resume nossa aventura antártica. Lá, também há relatos de outros professores cujos alunos participaram do concurso da Marinha. Em setembro, participarei da primeira oficina da APECS-Brasil para formação de educadores-pesquisadores com a ideia de expandir a todos da nossa escola um pouco dessa nossa experiência antártica. E também estar ainda mais preparada para quando conseguir voltar ao continente gelado!

Acesse o link para ler o informativo completo em tamanho maior.

Acesse o link para ler o informativo completo em tamanho maior.


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parceiros de Antártica

Logo que ficamos sozinhas no voo em direção ao Rio de Janeiro, nos primeiros minutos da viagem, a Tamara comentou: “será que os outros ganhadores são legais?”. A resposta veio no primeiro momento todos juntos (já relatado aqui). E durante toda a viagem a afinidade só fez aumentar, ao ponto de até o Tenente Rodrigo comentar que o grupo tão bacana foi um toque a mais na jornada.

Somos bastante diferentes um do outro, mas funcionamos bem juntos, o que realmente tornou a viagem ainda mais especial. E só faz aumentar a vontade da possibilidade de retorno à Antártica virar realidade. Nos posts anteriores contei um pouco sobre algumas personagens marcantes ao longo de nossa empreitada, agora é hora de homenagear um pouco nossos queridos parceiros de emoções Antárticas.

Grupo completo junto ao Hércules e à equipe da FAB na saída do Rio de Janeiro rumo a Pelotas.

Grupo completo junto ao Hércules e à equipe da FAB na saída do Rio de Janeiro rumo a Pelotas.

1- dupla pernambucana

Valdemir e Alvaro, sempre empunhando a bandeira pernambucana, desta feita no barco rumo à Marambaia.

Valdemir e Alvaro, sempre empunhando a bandeira pernambucana, desta feita no barco rumo à Marambaia.

O Valdemir era o mais calado frente às câmeras do Fantástico, mas se mostrava divertido e companheiro longe delas. E o Alvaro era o rei da foto do grupo – muitas das fotos desse post aconteceram graças à sua insistência em capturar alguns momentos marcantes. Sem contar que o repertório de histórias de Alvaro é tão infinito quanto hilário! A dupla de Saloá não perdia uma chance de esticar a bonita bandeira pernambucana por onde passasse. Mais sobre a dupla nesta notícia direto do agreste pernambucano e nesta outra no portal da Marinha.

Grupo todo na pista de pouso e decolagem do porta-aviões São Paulo.

Grupo todo na pista de pouso e decolagem do porta-aviões São Paulo.

2- dupla gaúcha

Elias e Rafael em frente ao submarino Tapajó

Elias e Rafael em frente ao submarino Tapajó

Elias era o mais jovem do grupo e foi quem sofreu comigo no exercício do bote. Rafael é professor de física e tem uma ótimo canal de videoaulas no You Tube: a Torre. Juntos, seguiram a missão de registrar tudo o que vivenciaram na viagem, empunhando sempre câmeras, microfone, tripé e cia. Algumas imagens do Rafael ficaram tão bacanas que até o pessoal do Fantástico pediu cópia para usar na reportagem final. Mais sobre a dupla nesta matéria do G1.

Nós todos junto com o contra-almirante Silva Rodrigues, idealizador do concurso, e da equipe do Fantástico que nos acompanhou boa parte da viagem.

Nós todos junto com o contra-almirante Silva Rodrigues, idealizador do concurso, e da equipe do Fantástico, que nos acompanhou boa parte da viagem.

3- dupla de Barbacena

Mantovani e Vanessa com o Brigadeiro Ismailov.

Mantovani e Vanessa com o Brigadeiro Ismailov.

Mantovani como nome de guerra e Matheus para os colegas de viagem – o aluno da escola de cadetes da aeronáutica é dedicado em tempo integral, realmente envolvido com seu objetivo de se tornar um piloto de caça na FAB. É também ótima pessoa para se conversar sobre assuntos diversos; apesar da pouca idade, tem muita cultura geral. Um pouco mais sobre ele nessa matéria no G1. E a Vanessa ficou sendo nossa consultora particular para assuntos militares, pacientemente explicando tudo sobre os postos, a hierarquia, os uniformes e cia. É surpreendente ver o quanto ela adora esse universo!

Todos nós de partida da Antártica. Foi pouco, mas fomos!

Todos nós de partida da Antártica. Foi pouco, mas fomos!

 


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personagens (3): Zamith, Ismailov e Lucena

O retorno à labuta intensa após a estadia antártica não tem permitido atualizar o blog com mais frequência, apesar da presente postagem e as seguintes serem tão importantes quanto as anteriores. A seguir, um pouco sobre três marcantes personagens que conhecemos na segunda metade da viagem, já a bordo do Hércules.

Almirante Zamith

O almirante Zamith gentilmente quis tirar uma foto com cada dupla de premiados na nossa última parada (Esantar-Rio Grande) antes do final da viagem.

O almirante Zamith gentilmente quis tirar uma foto com cada dupla de premiados na nossa última parada (Esantar – Rio Grande) antes do final da viagem.

De todas as pessoas interessantes que conhecemos, Wagner Lopes de Moraes Zamith, o vice-almirante Zamith, foi a que mais me marcou. Sua gentileza e seu prazer pela troca de experiências são admiráveis, tornando qualquer dedo de prosa com ele um grande privilégio. Ele é diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Industrial, integrante da Secretaria de Produtos de Defesa dentro do organograma do Ministério da Defesa, mais acabei sabendo pouco sobre seu trabalho nesse órgão. Seus relatos mais vívidos foram sobre outra experiência recente: ele comandou a força de paz da ONU no Líbano entre 2012 e 2013. Foi apenas a segunda vez que o comando de uma força de paz da ONU não esteve nas mãos de algum membro da OTAN. Zamith voltou de lá fascinado com a experiência cultural a que acabou submetido e me deixou fascinada por tabela a partir de seus relatos.

Ele também conhece muito sobre histórias de naufrágios e/ou navegações heroicas, como é o caso da histórica expedição de Schakleton (mais aqui e aqui), e acabou compartilhando alguns documentários sobre isso que havia trazido em seu computador para assistir durante as longas horas de Hércules. Foi mesmo um privilégio desfrutar de sua companhia no que foi também a sua primeira vez na Antártica.

Brigadeiro Ismailov

Junto com o Brigadeiro Ismailov esperando o transporte que nos levaria a conhecer o PAMA.

Junto com o Brigadeiro Ismailov prestes a conhecer o Parque de Material Aeronáutico do Galeão (PAMA).

A presença do Brigadeiro Ismailov foi fundamental em alguns momentos mais tensos da viagem (se é que se pode falar em tensão em uma experiência tão bacana como a que vivenciamos). Primeiro foi na saída do Rio de Janeiro: a espera para os reparos no Hércules foi compensada, como já contamos, com uma visita ao PAMA, em que pudemos conhecer parte da estrutura de reparos de aeronaves, bem como alguns tipos destas. Tudo graças a um improviso do Brigadeiro.

Depois houve uma “conversa motivacional” encabeçada por ele no aeroporto de Punta Arenas instantes antes de finalmente desembarcarmos na Antártica. A decepção pela impossibilidade de pousarmos na Antártica no dia anterior era grande. Até porque não era certeza que conseguiríamos nesse dia (nunca é, ainda mais quando se fala do continente gelado). E já sabíamos que a estadia não se estenderia por mais que apenas duas horas. O Brigadeiro Ismailov estava disposto a não embarcar no Hércules com esse desânimo como bagagem e nos reuniu num canto do saguão do aeroporto. Foi quando contou que há 38 anos desejava ir para a Antártica e que se não o conseguisse agora provavelmente não iria nunca, pois já vai entrar para a reserva. Se preocupou em descrever um pouco da complexidade técnica envolvida em um pouso na Antártica – por exemplo, explicou que é preciso aceleração diferencial nos quatro motores da aeronave para pouso no gelo. E acabou nos enchendo de ânimo para a nova tentativa.

No dia seguinte, quando ficamos um pouco à toa em Punta Arenas, nos recomendou fortemente um chocolate especial que apreciava muito. Já havia feito os cálculos de qual a melhor relação custo-benefício em termos do tamanho da barra e indicou o melhor local para a compra. Foi um tanto inusitado aquele oficial, que num primeiro momento parecia meio sisudo, se sair com essa. E não é que ele tinha razão? O chocolate é mesmo uma delícia!

Major Lucena

Major Lucena explicando para a Tamara o of´cio de um engenheiro especializado em ensaios em voo.

Major Lucena explicando para a Tamara o ofício de um engenheiro especializado em ensaios em voo.

O Major Lucena conseguiu a proeza de tornar curta uma viagem de mais de dez horas no Hércules. A conversa se iniciou por conta das câmeras que vinha instalando na cabine dos pilotos desde o início da viagem e acompanhando ao vivo a partir de seu computador. Ele nos contou que o objetivo era propiciar alguns cálculos de frenagem, aceleração e outros parâmetros em momentos críticos do voo: pouso e decolagem. Hoje, os pilotos voam, assessorados pelo engenheiro de bordo, com os cálculos feitos nos anos 1950, época de fabricação do Hércules. Os cálculos atuais permitem tornar o apoio da FAB ao Proantar ainda mais preciso, uma vez que podem aprimorar a operação da aeronave especialmente em casos de pousos mais complicados, como o que ocorre na Antártica.

Mais que isso, os cálculos são extrapolados ainda para uma nova aeronave de carga em desenvolvimento, o KC-390. Trata-se de um avião a jato (o Hércules é a hélice) que o Brasil está desenvolvendo e que será o primeiro avião de grande porte no pais que poderá abastecer um caça em voo e ser reabastecido por outro similar, dando maior autonomia de voo em determinadas operações. O projeto da Embraer, realizado em em parceria com empresas de outros países que fornecem algumas peças e que deverão ser os primeiros a adquirir os aviões produzidos, tem o primeiro voo previsto para a celebração do dia do aviador ainda este ano.

O Major Lucena nos explicou ainda que há principalmente dois tipos de engenheiros envolvidos no projeto e na operação de aviões: o engenheiro de voo é especializado no tipo de avião e o engenheiro de ensaios em voo, caso do major, é generalista (só havendo diferença entre ensaio em voo em asas rotativas, vulgo helicóptero, e asas fixas, vulgo avião). Boa parte do ofício do engenheiro de ensaios em voo envolve reengenharia, ou seja, deve usar engenharia reversa para descobrir o sistema de equações aproximado que rege determinada aeronave. Essa informação pode ser usada, por exemplo, para projetar a própria aeronave. Diversos tipos de “drones” podem ser envolvidos em algumas etapas desse processo. Como exemplo, o major nos mostrou em seu celular esta TED-talk, em que o quadricóptero da demonstração recebe uma missão e a cumpre usando o que aprendeu (sim, inteligência artificial) – “isto é engenharia!”, resumiu o major.


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personagens (2): Rodrigo, Haynee e Lúcio

Tenente Rodrigo

Todos com cara de sono na saída do CEFAN em direção ao aeoporto na manhã do último dia da jornada.

Todos com cara de sono na saída do CEFAN em direção ao aeroporto na manhã do último dia da jornada.

O Primeiro-Tenente Rodrigo de Almeida Rosa nos acompanhou em todas as instâncias da viagem à Antártica, desde a divulgação do resultado do concurso por meio de e-mails formais da Secirm, até o gelado teleférico de Punta Arenas, passando por uma visita nublada ao Cristo Redentor. Seu bom humor é contagiante e acho que nunca vamos esquecer aquela risada gostosa que se amplia até os ombros.

Nos contou durante a viagem que foi o redator do regulamento do concurso “O Brasil na Antártica” e também que participou da comissão julgadora que selecionou os vídeos vencedores.

Sempre disposto a nos esclarecer sobre o funcionamento da Marinha e das organizações militares em geral, ainda nos ensinou um pouco do linguajar típico que usam. Alguns exemplos do que aprendemos: 1- “safo” = tranquilo, resolvido, esperto. Ex.: “não se preocupe com isso, tá safo.”; “ele é safo”. 2- “faina” = trabalho, obrigação. Ex.: “tô aqui com essa faina para resolver”; “a faina de hoje é dura”. 3- “bizu” = dica. Ex.: “qual o bizu para se safar dessa faina?”.

 

Comandante Haynee

Comandante Haynee ajudando a Tamara a vestir o mustang no primeiro dia do trienamento pré-antártico.

Comandante Haynee ajudando a Tamara a vestir o mustang durante treinamento pré-antártico.

A Comandante Haynee foi das poucas mulheres na Marinha do Brasil que tivemos chance de conhecer. Muito simpática, já iniciou conversa logo no ônibus que nos levou do Rio de Janeiro à Itacuruçá, de onde embarcamos para a Marambaia. Nos acompanhou durante todo o treinamento pré-antártico por lá, durante o qual palestrou sobre o funcionamento das estações de apoio antártico (Esantar) – vide post anterior.

Ser mulher na Marinha não deve ser fácil. As missões por vezes são longas e deixar a filhinha pequena deve ser separação sempre doída. E embora tenhamos presenciado uma relação igualitária entre homens e mulheres da Marinha nas atividades de que participamos e verificado que mulheres chegam a ocupar postos mais elevados, fato é que elas ainda não podem desempenhar qualquer tipo de atividade na Marinha. Por exemplo, as mulheres não podem embarcar. Assim, geralmente atuam em atividades mais administrativas, como muitas das que caracterizam a Secirm.

 

Comandante Lúcio

Comandante Lúcio explicando para a Tamara o percurso que faríamos até a Marambaia no primeiro dia do treinamento pré-antártico.

Comandante Lúcio explicando para a Tamara o percurso até a Marambaia no primeiro dia do treinamento pré-antártico.

Marco Vinícius Lúcio, o comandante Lúcio, acompanhou nossos treinamentos no CADIM durante a presença da equipe do Fantástico por lá. Ele atua na área de comunicação social da Marinha e então foi designado para dar apoio ao trabalho jornalístico.

Durante a ida à Marambaia, contou-nos que já esteve diversas vezes por lá e usou o mapa da embarcação para explicar o trajeto que faríamos até lá e para indicar que a Marambaia não é propriamente uma ilha.

Depois, não lembro bem como a conversa chegou nisso, acabou contando de sua experiência de escrever livros infanto-juvenis. Um de seus livros, o “Cisne Branco”, é sobre a Marinha, mas há outros já publicados, como o “As horas”, que ensina a ler as horas em relógio analógico, e o “Contando o hino”, que explica estrofe por estrofe o significado dos versos do hino nacional. Foi muito interessante acompanhar sua explicação sobre como teve as ideias para os livros a partir de conversas com seus próprios filhos!