rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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saiu a matéria no Fantástico

Eis a primeira parte da matéria no Fantástico.

Como esperado, dado os últimos acontecimentos aqui relatados, nenhuma referência foi feita aos professores. Mas ainda bem que os alunos puderam aproveitar essa experiência de maneira completa! Espero que no próximo episódio do programa apareçam mais depoimentos deles, pois foram tantas gravações com as impressões deles e é bacana ouvir seus relatos, o que esperavam, o que estavam sentindo. Achei a matéria bacana no geral, mas bem poderia ter dado mais voz a esses ricos personagens que tanto contaram às câmeras sobre como planejaram elaborar os vídeos vencedores do concurso, como encararam o treinamento pré-antártico, como se tornaram amigos ao longo dessa jornada…

Atualização em 05/05/2015: segunda e última parte da matéria do Fantástico.

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personagens (2): Rodrigo, Haynee e Lúcio

Tenente Rodrigo

Todos com cara de sono na saída do CEFAN em direção ao aeoporto na manhã do último dia da jornada.

Todos com cara de sono na saída do CEFAN em direção ao aeroporto na manhã do último dia da jornada.

O Primeiro-Tenente Rodrigo de Almeida Rosa nos acompanhou em todas as instâncias da viagem à Antártica, desde a divulgação do resultado do concurso por meio de e-mails formais da Secirm, até o gelado teleférico de Punta Arenas, passando por uma visita nublada ao Cristo Redentor. Seu bom humor é contagiante e acho que nunca vamos esquecer aquela risada gostosa que se amplia até os ombros.

Nos contou durante a viagem que foi o redator do regulamento do concurso “O Brasil na Antártica” e também que participou da comissão julgadora que selecionou os vídeos vencedores.

Sempre disposto a nos esclarecer sobre o funcionamento da Marinha e das organizações militares em geral, ainda nos ensinou um pouco do linguajar típico que usam. Alguns exemplos do que aprendemos: 1- “safo” = tranquilo, resolvido, esperto. Ex.: “não se preocupe com isso, tá safo.”; “ele é safo”. 2- “faina” = trabalho, obrigação. Ex.: “tô aqui com essa faina para resolver”; “a faina de hoje é dura”. 3- “bizu” = dica. Ex.: “qual o bizu para se safar dessa faina?”.

 

Comandante Haynee

Comandante Haynee ajudando a Tamara a vestir o mustang no primeiro dia do trienamento pré-antártico.

Comandante Haynee ajudando a Tamara a vestir o mustang durante treinamento pré-antártico.

A Comandante Haynee foi das poucas mulheres na Marinha do Brasil que tivemos chance de conhecer. Muito simpática, já iniciou conversa logo no ônibus que nos levou do Rio de Janeiro à Itacuruçá, de onde embarcamos para a Marambaia. Nos acompanhou durante todo o treinamento pré-antártico por lá, durante o qual palestrou sobre o funcionamento das estações de apoio antártico (Esantar) – vide post anterior.

Ser mulher na Marinha não deve ser fácil. As missões por vezes são longas e deixar a filhinha pequena deve ser separação sempre doída. E embora tenhamos presenciado uma relação igualitária entre homens e mulheres da Marinha nas atividades de que participamos e verificado que mulheres chegam a ocupar postos mais elevados, fato é que elas ainda não podem desempenhar qualquer tipo de atividade na Marinha. Por exemplo, as mulheres não podem embarcar. Assim, geralmente atuam em atividades mais administrativas, como muitas das que caracterizam a Secirm.

 

Comandante Lúcio

Comandante Lúcio explicando para a Tamara o percurso que faríamos até a Marambaia no primeiro dia do treinamento pré-antártico.

Comandante Lúcio explicando para a Tamara o percurso até a Marambaia no primeiro dia do treinamento pré-antártico.

Marco Vinícius Lúcio, o comandante Lúcio, acompanhou nossos treinamentos no CADIM durante a presença da equipe do Fantástico por lá. Ele atua na área de comunicação social da Marinha e então foi designado para dar apoio ao trabalho jornalístico.

Durante a ida à Marambaia, contou-nos que já esteve diversas vezes por lá e usou o mapa da embarcação para explicar o trajeto que faríamos até lá e para indicar que a Marambaia não é propriamente uma ilha.

Depois, não lembro bem como a conversa chegou nisso, acabou contando de sua experiência de escrever livros infanto-juvenis. Um de seus livros, o “Cisne Branco”, é sobre a Marinha, mas há outros já publicados, como o “As horas”, que ensina a ler as horas em relógio analógico, e o “Contando o hino”, que explica estrofe por estrofe o significado dos versos do hino nacional. Foi muito interessante acompanhar sua explicação sobre como teve as ideias para os livros a partir de conversas com seus próprios filhos!


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personagens (1): Brandão, William e Christino

Comandante Brandão

O Comandante Brandão dando esxplicações aos alunos vencedores do concurso ao lado de fragatas ancoradas no Complexo Naval Mocanguê

O Comandante Brandão dando explicações aos alunos vencedores do concurso ao lado de fragatas ancoradas no Complexo Naval Mocanguê durante nossa vista à Fragata Rademaker.

Mario Luis Machado Brandão, o Comandante Brandão, é capitão-de-fragata. Ele foi nosso primeiro contato nos preparativos para a viagem nos dando as boas vindas para a empreitada que estava prestes a se iniciar. Foi ele quem coordenou a missão de nos propiciar o treinamento pré-antártico e, posteriormente, nos levar à Antártica. Também nos conduziu na visita aos meios navais, inclusive contando que havia servido por cinco anos na fragata que visitamos.

Durante o treinamento pré-antártico no Cadim, palestrou sobre as características do continente antártico e sobre a estrutura da estação brasileira (EACF). Sua última missão por lá foi das mais difíceis para quem está ligado ao Proantar já há algum tempo: ele comandou a operação de desmonte da estação após o incêndio que a destruiu em 2012. O desafio era grande: a remoção total dos destroços (seguindo as determinações do Tratado Antártico), o empacotamento para transporte ao Brasil via navio e a instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs) em cima do antigo heliporto.

A Operação Antártica XXXI foi a maior operação logística realizada pelo governo brasileiro na Antártica. Envolveu cinco navios e só pode ser iniciada após a remoção de 60 mil metros cúbicos de neve. O Comandante Brandão nos contou com orgulho que o trabalho foi elogiado pela comitiva internacional de inspeção composta por ingleses, holandeses e espanhóis (pelo Tratado Antártico, um país pode fiscalizar a atuação de outro no continente austral a fim de verificar se está seguindo o acordado no tratado. No caso em que havia grande risco de contaminação ambiental, a inspeção era até esperada).

Para quem já se envolveu em missões desse porte de complexidade, levar alunos do ensino médio à Antártica é, no mínimo, bastante diferente. E o comandante pode se orgulhar de ter cumprido mais uma missão com sucesso!

Sub-oficial William

William comigo no barco que nos trouxe de volta ao Rio de Janeiro após o trienamento pré-antártico na Marambaia.

William comigo no barco que nos trouxe de volta ao Rio de Janeiro após o treinamento pré-antártico na Marambaia.

William Souza, o sub William, é uma pessoa adorável. Conversamos pouco entre uma atividade e outra no Cadim, mas foi o suficiente para passar a admirá-lo. Em paralelo ao trabalho na Marinha (de que gosta muito, somente não encarando os submarinos), está cursando a pós-graduação na Faculdade de Educação da UERJ. Contou-nos que decidiu prestar vestibular aos 37 anos de idade após quase 20 anos sem estudar. E, apesar de já ter mudado de faculdade algumas vezes por conta das missões que recebe em locais distintos do país, agora está firme na finalização de seu projeto de pesquisa sobre o uso de softwares livres na educação de jovens e adultos (EJA).

Foi muito bacana trocar algumas breves ideias sobre educação com ele e saber mais sobre um problema que, embora óbvio, ainda não apresenta solução pela falta de material adequado. Em sua pesquisa, observou que um dos grandes problemas da EJA é não contemplar as experiências de vida dos alunos e isso se reflete nas queixas dos alunos em relação aos materiais utilizados. Por exemplo, grande parte dos aplicativos e outros materiais desenvolvidos para alfabetização são pensados para crianças e para quem já tem certa idade é desestimulante aprender usando isso. Assim, William está à caça de bons aplicativos em português que possam ser disseminados nas diversas atividades de EJA.

Sub-oficial Christino

O sub Christino dando instruções para a Tamara e o Rafael realizarem a atividade do bote no segundo dia do treinamento pré-antártico.

O sub Christino dando instruções para a Tamara e o Rafael realizarem a atividade do bote no segundo dia do treinamento pré-antártico.

Christino foi quem nos conduziu na parte do treinamento pré-antártico que versava sobre locomoção em embarcações miúdas. Mas foi na noite anterior que conheci o mergulhador Alexandre da Silva Christino no hotel de trânsito de oficiais na Ilha da Marambaia (HT). Ele adora conversar e contar histórias de sua invernada na Antártica. Quem me conhece vai ter dificuldade em acreditar que praticamente não abri a boca durante quase duas horas de conversa, tão interessantes e intensos eram seus relatos. Deixou-me cheia de vontade de estar na Antártica!

Ele parecia ter adivinhado que sou uma bióloga especialmente apaixonada por mamíferos marinhos, pois me contou muitas histórias de avistagens de focas e baleias, dando especial ênfase à foca-leopardo, temida pelos marinheiros principalmente durante os deslocamentos por bote.

Christino adora fotografar e filmar. Contou já ter brigado com alguns colegas de invernada que o questionavam quando saía de câmera em punho para, pela enésima vez, registrar o pôr-do-sol ou algum agrupamento de pinguins. E divertiu-se contando que muitas vezes programava com alguns colegas montagens fotográficas brincalhonas, como a vez em que colocaram uma das mesas de trabalho do lado de fora da estação e então ficaram somente de camiseta e calça leve simulando estarem trabalhando no frio tão tranquilamente quanto se estivessem no calor do Rio de Janeiro.

O inverno é intenso no continente antártico e o isolamento por longo tempo em relação a familiares e amigos não é situação fácil. Por mais que parte do tempo seja ocupada com o trabalho de manutenção da estação, manter o humor e a criatividade são fundamentais. E Christino parece não ter problema algum com isso!


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e se o bote virar?

No penúltimo dia do Treinamento Pré-Antártico no CADIM, tivemos algumas palestras a respeito de vestimentas, itens de segurança e formas de deslocamento na Antártica. A TV Globo sempre registrando tudo, como vocês poderão conferir em algumas das fotos, para posteriormente elaborar uma reportagem especial para o Fantástico.

Depois, nos dirigimos ao cais para realizar os exercícios com o bote e o mustang. O mustang, quando seco, protege do frio. Quando molhado, porém, o objetivo é de flutuabilidade: ele infla e a camada de ar presa em braços e pernas ajuda a boiar, mas água penetra no corpo e, se for água de mar antártico, não é bom demorar mais que 20 minutos para conseguir voltar ao bote.

A ideia dos exercícios era praticar a natação com a roupa e simular a virada e desvirada do bote (embarcação que iremos utilizar na Antártica para ir do navio ao local da estação e vice versa). Isso depois que conseguíssemos subir no bote… Cumprida a primeira etapa, tivemos ainda que retornar ao cais por uma escada de corda que fica balançando. Haja força para fazer isso, especialmente carregando alguns quilos a mais do mustang molhado!

A Tamara e sua dupla, o professor de Física Rafael, se saíram bem e só tiveram que repetir a primeira virada uma vez, depois seguiram os exercícios sem intercorrências. Já eu e minha dupla, o Elias, não tivemos a mesma sorte (leia-se força). Subir no bote a partir da água, com a roupa super pesada, não é nada fácil. Mesmo virar o bote puxando a corda, que parecia tranquilo na demonstração a que assistimos, não foi tanto. Mas minha diferença mesmo foi a tal da escada de corda… Conclusão: 1- eu preciso fazer musculação, já que somente atividade aeróbica moderada não tá dando conta do recado, 2- vocês vão ter muito com que se divertir quando assistirem o especial do Fantástico, já que o papelão foi registrado em cadeia nacional.

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primeiro dia do treinamento pré-antártico

Saímos do Rio de Janeiro em direção a Itacuruçá e de lá embarcamos para a Ilha da Marambaia (que, na verdade, não é uma ilha propriamente, mas é assim chamada porque o longo “braço” de restinga por vezes é invadido por água, deixando a parte maior da região separada do restante como se fosse uma ilha). Lá há um centro de avaliação da marinha.

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Vejam só o nível da recepção!

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Após o almoço, assistimos à palestra do contra-almirante Silva Borges que explicou um pouco da infra-estrutura da Marinha associada à Antártica e indicou que o Proantar tem três eixos principais: ambiental, científico e logístico. E também que o grande objetivo é garantir que o Brasil tenha cadeira como membro consultivo do Tratado Antártico de forma que possa contribuir para a resolução de 2048 sobre o destino da Antártica.

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O incêndio de 2012 é sempre muito mencionado em todas as conversas sobre Antártica que estamos tendo a oportunidade de ter com os membros da Marinha e não foi diferente nesta palestra. E sempre é destacado com especial orgulho o fato de a bandeira brasileira sempre ter permanecido em solo antártico apesar da estação destruída, pois quatro marinheiros ficaram na base argentina durante o inverno e se revezavam na função de seguir até os resquícios da estação brasileira.

Apresentações feitas, passamos então para um pouco da parte prática do que teremos que realizar em solo antártico. E nenhum começo poderia ser melhor do que sobrevoar a Maramabaia de helicóptero!

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helicoptero-dentro

Mais tarde ainda fizemos simulação de caminhada na neve ao realizar alguns exercícios em areia fofa. E depois de um delicioso mergulho na Marambaia, tivemos um momento de confraternização com os oficiais recheadas de histórias de quem já passou de verão a verão no continente gelado. Só fez acirrar nossas expectativas! Mas antes ainda temos que passar pelo restante do treinamento pré-antártico e nos garantiram que a próxima etapa não será tão turismo quanto à do primeiro dia…


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chegamos!

Chegamos bem até o Rio de Janeiro e fomos muito bem recebidas pelo pessoal da Marinha. Seguimos, junto com os demais vencedores, para o Centro de Educação Física Almirante Alberto Nunes (CEFAN) na Avenida Brasil. Estamos no alojamento da unidade, por onde circulam alguns atletas olímpicos que aqui vivem e treinam.

Durante e após o jantar foi muito bacana a conversa com os demais colegas de viagem: conhecemos um pouco de sua história, como planejaram e executaram os vídeos e depois assistimos aos vídeos uns dos outros em nossos celulares e computadores. Muito bom saber que além de estarmos prestes a conhecer um lugar incrível, ainda o faremos em ótima companhia!

Amanhã partimos para a Ilha da Marambaia, onde passaremos os próximos dias realizando o treinamento pré-antártico. O local deve ser muito bonito, pois abriga uma das últimas reservas de Mata Atlântica do sudeste brasileiro, além de restingas e manguezais. No cardápio do treinamento temos: vestimentas especiais, noções de segurança e deslocamento na Antártica, prática em embarcações miúdas, natação utilitária, uso do macacão flutuante e cuidados médicos na Antártica. Também seremos apresentadas ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar), aos Módulos Emergenciais (que substituem a estação de pesquisa destruída no incêndio de 2012) e à Estação de Apoio Antártico (Esantar) e voos de apoio.