rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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a primeira travessia brasileira do continente antártico

É possível que fiquemos sem conexão e/ou sem tempo de postar durante nossa breve estadia na Antártica, então deixamos vocês com uma diversão antártica para que também sintam um pouco do que sentiremos por lá! Logo postaremos imagens e histórias de nossa passagem por lá.

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Há dez anos, no verão de 2004/2005, pela primeira vez um brasileiro realizou uma travessia do continente antártico, quando o glaciólogo Jefferson Cardia Simões atingiu o pólo sul geográfico por via terrestre. O professor Simões é diretor do Centro Polar e Climático (CPC) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O cientista brasileiro participou de uma expedição ao Pólo Sul Geográfico (90º S) em uma viagem de ida-e-volta de 2300 km sobre o manto de gelo antártico a partir da base chilena em Patriot Hills (80º18’S, 81º22’W). Ele viveu durante dois meses sob as condições mais extremas do planeta, transportado por trator polar com trenós, dormindo em barracas ou abrigado em iglus. E enfrentou temperaturas abaixo dos quarenta graus negativos, ventos de mais de 100 quilômetros por hora e atravessou fendas no gelo com até 50 metros de profundidade.

Essa missão de exploração geográfica e científica foi a contribuição brasileira para um dos projetos mais avançados da ciência antártica, a Expedição Científica Transantártica Internacional (ITASE). Trata-se de uma iniciativa de 20 países para amostrar a neve e o gelo antártico acumulado ao longo dos últimos duzentos anos a fim de compreender o impacto humano no ambiente global. Para o Brasil, o professor Simões trouxe muitas informações científicas sobre como o continente branco interfere no clima brasileiro.

O CPC convida você a acompanhar essa expedição no site interativo que simula, com fotos e vídeos, o cotidiano da travessia, bem como as paisagens das geleiras antárticas.  Boa viagem!

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características gerais da Antártica

Estamos quase chegando lá! Mas antes de colocar os pés no continente gelado, vamos fazer a lição de casa e revisar algumas informações sobre a Antártica aprendidas no treinamento e também lidas no “Manual do participante de Operações Antárticas” que recebemos.

O Continente Antártico tem aproximadamente 14 milhões de quilômetros quadrados quase totalmente recobertos de gelo. É rodeado pelo Oceano Austral, formado pelo encontro dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, e representa cerca de 10% de todos os oceanos (mais neste vídeo da Comissão Interministrial para Recursos do Mar).

O mais frio dos continentes interfere no clima de diversas regiões do globo – “é a fábrica de frentes frias”, como resumiu o Comandante Brandão em sua palestra no Treinamento Pré-Antártico. Além disso, é ali que está o maior manto de gelo do mundo, correspondendo a cerca de 90% da água doce do planeta. O continente gelado abriga ainda o arquivo da história climática do planeta, que pode ser estudada a partir da coleta de amostras de gelo com gases aprisionados.

Além das circulações atmosféricas, a Antártica controla as circulações oceânicas, de forma que os fenômenos de ressurgência que são observados, por exemplo, em Cabo Frio – RJ, decorrem de correntes marítimas frias advindas da Antártica. É ainda o continente mais alto de todos, com uma média de 2300m. Mais informações aqui.

Na vista de ontem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, aprendemos ainda que, no período Cretáceo, a Antártica era coberta por florestas densas, inclusive com plantas tropicais. Que diferença do ambiente terrestre de hoje restrito a musgos e líquens! Isso porque a Antártica era ligada ao que hoje conhecemos por África e América de um lado e, por outro, ao que hoje conhecemos por Austrália. Estamos falando de mais de 150 milhões de anos atrás! Pouco depois, há cerca de 94 milhões de anos, a Antártica já havia se separado da África e da América, mas ainda estava parcialmente ligada à Austrália. Somente há 14 milhões de anos é que essa parte da Terra chegou à configuração que temos hoje.

Os mapas abaixo, do Paleomap Project, são os mesmos usados na exposição do museu, que citava como referência “Scotese, 2009”. No site do projeto há mais mapas e algumas informações sobre o processo de deriva continental.

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Também aprendemos na visita ao museu que alguns locais, como a Antártica e os desertos, são mais favoráveis à descoberta de meteoritos, já que as condições climáticas ajudam a preservá-los. Até meteoritos provenientes de Marte já foram encontrados por lá.

Por fim, é interessante destacar que, apesar da proteção internacional que impede a exploração direta dos recursos do continente, esse tem sofrido agressões ambientais nas últimas décadas. Como se trata de região com ecossistemas particularmente frágeis, observa-se muita susceptibilidade à destruição da Camada de Ozônio (boa notícia recente aqui ) e ao Aquecimento Global.

A presença de 176 tipos de minerais, de grandes lençóis de gás natural (e, provavelmente, petróleo) e de água acirra os interesses econômicos na região. Como explicado anteriormente, até 2048 esses recursos não podem ser explorados. Mas o que irá ocorrer após isso? Haverá uma renovação do Tratado Antártico garantindo que esse seja um continente para a ciência e para a paz?

Essas questões econômicas se juntam a outras de forma a justificar o esforço brasileiro em se manter no continente gelado. Por exemplo, há interesses políticos, como o fato de o estreito de Drake propiciar uma passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico, configurando uma rota alternativa de comunicação com o Oriente além do Canal do Panamá. Há também interesses militares, como o desenvolvimento da capacidade de realizar apoio logístico a grandes distâncias e de realizar operações em áreas inóspitas.

Enfim, tudo associado ao continente gelado é grandioso. Também é grande nossa ansiedade de finalmente desembarcarmos nele!