rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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saiu a matéria no Fantástico

Eis a primeira parte da matéria no Fantástico.

Como esperado, dado os últimos acontecimentos aqui relatados, nenhuma referência foi feita aos professores. Mas ainda bem que os alunos puderam aproveitar essa experiência de maneira completa! Espero que no próximo episódio do programa apareçam mais depoimentos deles, pois foram tantas gravações com as impressões deles e é bacana ouvir seus relatos, o que esperavam, o que estavam sentindo. Achei a matéria bacana no geral, mas bem poderia ter dado mais voz a esses ricos personagens que tanto contaram às câmeras sobre como planejaram elaborar os vídeos vencedores do concurso, como encararam o treinamento pré-antártico, como se tornaram amigos ao longo dessa jornada…

Atualização em 05/05/2015: segunda e última parte da matéria do Fantástico.


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conseguiram!

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Está reconhecendo alguém na foto acima? Pois é, eles conseguiram! A Tamara me contou na semana passada, toda feliz, que dessa vez foram bem sucedidos na empreitada. Na foto, os alunos vencedores do concurso estão com pesquisadoras do projeto Mycoantar. Lembram que contei que estão construindo um relato fantástico sobre o projeto de pesquisa que estão desenvolvendo na Antártica? Pois é, os alunos vencedores do concurso tiveram a sorte de conhecer ao vivo e a cores um pouco do belo trabalho desses pesquisadores durante a estadia na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e num dos navios de apoio.

Felizmente, esses pesquisadores acreditam numa ideia que venho defendendo desde que decidi me embrenhar na área da divulgação científica: a de que os cientistas podem ser ótimos contadores de histórias e, quando decidem casar o trabalho de divulgação científica com o trabalho de pesquisa, o resultado tende a ser extremamente prazeroso para o cientista e para o público. No final, trata-se de uma retomada à era dos cientistas contadores de histórias que está na base do surgimento da comunicação científica especializada, como já discuti um pouco aqui: com a palavra, o cientista – histórias da ciência narradas por seus protagonistas.

Vejam só que bacana o que os pesquisadores do Mycoantar vêm fazendo: graças ao esforço em registrar e divulgar cada etapa do seu processo de pesquisa, qualquer um pode acompanhar e aprender muito com eles. Vocês podem seguir cada passo da pesquisa no diário de bordo que estão escrevendo (onde, inclusive, podem ver um pouco da cara da EACF), podem aprender bastante sobre a biodiversidade de fungos na Antártica e sua aplicação potencial na indústria farmacêutica e outras (fungos & associados – parte 1 e parte 2; a bioprospecção de fungos na Antártica; prospecção de fungos filamentosos e leveduras), podem conhecer um pouco das técnicas de coleta do material biológico (fotos e descrições; vídeo da coleta de sedimentos marinhos com box corer), podem acompanhar a explicação, em linguagem acessível, das publicações científicas que já realizaram e ainda conhecer, no vídeo abaixo, a rotina de um pesquisador que coleta amostras de solo para análise de fungos na Antártica.

Não seria fantástico se muitos mais grupos de pesquisa trabalhassem dessa forma? O tanto de material que os professores teriam à disposição para usar em sala de aula e despertar mais jovens para as carreiras científicas… É tentando contribuir uma pouco com isso que, junto com outros professores (o Álvaro é um deles, mas também colegas da escola em que trabalho e muitos outros professores ), decidi iniciar uma nova etapa da jornada em parceria com a Associação de Pesquisadores e Educadores em Início de Carreira sobre o Mar e os Polos (APECS-Brasil). Desde nossa participação na I Oficina de Formação ocorrida em setembro, estamos trabalhando no desenvolvimento de materiais didáticos a partir de pesquisas científicas que se desenrolam nos polos e nos mares. A expectativa é que cada grupo de trabalho já tenha algumas atividades para compartilhar, gratuitamente e aberto a todos via o site da APECS-Brasil, na próxima Semana Polar Internacional.

Penso que a divulgação dessa jornada via o programa Fantástico da Rede Globo (com veiculação prometida para depois do Carnaval) é uma ótima forma mostrar ao público em geral que existe a EACF, um pouco de seus propósitos e como se dá o apoio da Marinha e da FAB para que ocorram as pesquisas científicas por lá. Mas é bastante insuficiente, até por conta de seus objetivos, para abranger um pouco do teor das pesquisas e contribuir efetivamente para a divulgação e educação científicas. Nesse sentido, a Marinha deu um péssimo passo em falso ao excluir os professores vencedores do concurso da ida à EACF. Ainda bem que há alguns poucos grupos de pesquisa como o Mycoantar, empenhados na ampla e qualificada divulgação do trabalho que realizam, e exceções como a APECS-Brasil, que se vira com a pouca verba conquistada para fazer a ponte entre produção científica e o ensino de ciências.


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Antártica: 10 anos em 1

Hoje é comemorado o Dia da Antártica. Trata-se de uma celebração do Tratado Antártico, o qual, há 55 anos, definiu que o território antártico seria patrimônio da humanidade e destinado a fins científicos e pacíficos.

Para comemorar a data, relembrar o tantico que vimos do continente gelado e ficar sonhando com o que ainda poderemos ver, embora em outra parte, nada melhor do que as belíssimas imagens do recém-lançado e premiadíssimo documentário Antarctica: a year on ice. Na torcida para que seja lançado também aqui no Brasil e logo possamos acompanhar esse lindo trabalho na telona!


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uma nova etapa da jornada

Infelizmente ainda não se refere ao possível retorno à Antártica…

Mas é também uma boa notícia: estamos, desde o retorno, em contato com a APECS-Brasil. Já tivemos o privilégio de receber a bióloga Sandra Freiberger em nossa escola para nos contar um pouco mais sobre sua experiência como pesquisadora no continente austral. Agora, a última edição do informativo da instituição trouxe um texto que resume nossa aventura antártica. Lá, também há relatos de outros professores cujos alunos participaram do concurso da Marinha. Em setembro, participarei da primeira oficina da APECS-Brasil para formação de educadores-pesquisadores com a ideia de expandir a todos da nossa escola um pouco dessa nossa experiência antártica. E também estar ainda mais preparada para quando conseguir voltar ao continente gelado!

Acesse o link para ler o informativo completo em tamanho maior.

Acesse o link para ler o informativo completo em tamanho maior.


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mais Antártica em vídeo

Meus vídeos (chegada à Antártica e base chilena Frei) em material bruto postados no calor do momento foram apenas um aperitivo para o vídeo abaixo, elaborado pelo Rafael, combinando com gravações feitas também pelo Elias na brevíssima passagem pela base brasileira e no sobrevoo de helicóptero que os alunos fizeram até lá. Destaque para as cenas finais, feitas na cabine de pilotagem do Hércules: vejam só como é curtinha a pista e que, se o piloto não for mais que preciso, saímos direto do gelo pro mar antártico.


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duas horas de Antártica

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O plano original era pousarmos na base Frei – o Proantar tem uma parceria intensa com o Chile nesse sentido – e então seguirmos de navio para a base brasileira, onde passaríamos dois dias. Ao chegarmos em Punta Arenas já sabíamos que esse plano teria de ser alterado: o inverno chegou um pouco mais cedo à Antártica esse ano e parte do mar já estava começando a congelar, então os navios precisariam voltar mais cedo, trazendo de volta ao Brasil os pesquisadores que estavam na estação e seu material de coleta. Assim, passaríamos apenas uma noite na base brasileira levados por um dos navios a partir da base chilena.

Porém, como não conseguimos pousar na Antártica no primeiro dia que tentamos (uma pena, o tempo estava perfeito, o que é raro, mas tivemos problemas com o Hércules), os navios brasileiros que estavam só nos esperando para essa travessia iniciaram seu retorno ao Brasil, pois não poderiam arriscar esperar nossa segunda tentativa de pouso.

Fomos bem sucedidos em nossa segunda tentativa (o pessoal do sexto voo da mesma operação demorou seis dias para conseguir chegar à Antártica!), mas não pudemos ficar em solo antártico por mais de duas horas, pois esse é o tempo máximo para segurança do Hércules. Mais que isso, o combustível congela…

Tivemos então nosso breve momento de alegria intensa e logo retornamos a Punta Arenas. No dia seguinte, o pessoal da FAB voltou à Antártica para treinar pouso e decolagem, faz parte do processo de formação dos pilotos que atuam nessa operação. Não conseguiram realizar os treinos por conta do mau tempo e tivemos que ficar um dia mais em Punta Arenas. Por sorte, conseguiram na segunda tentativa, senão só poderiam realizar os treinos no próximo verão e havia piloto ali por um isso de se formar.

Ficar na Antártica por menos de duas horas foi doído. Mas talvez ainda mais frustrante tenha sido estar em Punta Arenas sabendo que o Hércules estava novamente na Antártica. Que vontade de ir junto! Mas isso não é permitido: quando os pilotos vão para realizar treinamento, somente eles seguem. Nem a tripulação de bordo do Hércules, que serve uns lanches caprichados, vai. Isso porque a aeronave não pousa de fato, somente arremete. Até pedimos para ir junto e ficar na base chilena durante o tempo de ensaio dos pilotos, mas nos explicaram que não poderiam arriscar nos deixar em solo sem a garantia de que depois poderiam pousar. Como o tempo muda muito rapidamente na Antártica, a possibilidade disso ocorrer é grande. Assim, ficamos tão perto e tão longe de um pouco mais do continente gelado…

Durante o retorno da primeira frustrada tentativa de pouso, vim conversando com o Paulo, que integra uma equipe que está realizando um documentário (“Asas Antárticas”) sobre o trabalho de apoio da FAB ao Proantar. Ele me contou que a equipe já contabilizava 82 horas de Hércules e somente 5 de Antártica e nenhuma de base brasileira (EACF) no continente austral. Se formos comparar, até que tivemos sorte, pois contabilizamos cerca de 30 horas de Hércules, quase 2 horas de Antártica e os alunos vencedores do concurso ainda tiveram 15 minutos de EACF…

Se formos ainda considerar que muitos membros da Marinha sonham em conhecer o continente geado e isso é privilégio para poucos marinheiros que passam por uma seleção bastante rigorosa e que pessoas de alta patente e amplo tempo de serviço, como o Almirante Zamith e o Brigadeiro Ismailov (mais informações na série “personagens” que logo iniciaremos aqui no blog), conheceram a Antártica pela primeira vez e também por duas horas junto conosco… demos sorte mesmo!

Essa experiência nos mostrou na prática o quão complexas são as operações do Proantar e quantas atividades são realizadas a cada ida ao continente gelado! Também, deixou claro aquilo que navegadores e voadores experientes em Antártica sabem bem: na Antártica, quem manda é o tempo, quem manda é a Antártica. As tecnologias todas que desenvolvemos nos ajudam muito a estarmos por lá, mas não se sobrepõem ao determinado pela natureza. Esse equilíbrio entre desafio e respeito, entre resiliência e ambição, torna ainda mais interessante e desejosa a ida ao continente gelado!

Existe a possibilidade de regressarmos à Antártica no próximo verão. Como não foi possível conhecer a EACF (os alunos estiveram lá por apenas 15 minutos levados por helicóptero a partir da base chilena e os professores nem isso), a Marinha se comprometeu a tentar nos incluir em um dos voos da operação XXXIII do Proantar para que possamos conhecer a base brasileira e também passar algum tempo na Antártica, fazer algumas das trilhas, conhecer os laboratórios de pesquisa nos navios e tudo o mais que estava nos planos originais. Porém, todo o comando da operação irá mudar a partir do meio do ano, então fica pendente saber como o novo comando vai considerar isso.

Ou seja, o sonho ainda não acabou. Estamos na torcida para que o próximo comando se lembre de nós e nos convide a realizar o sonho de forma mais completa, enfim conhecendo a estação brasileira, acompanhando os trabalhos de pesquisa, caminhando na neve, vendo pinguins e focas… Torçam por nós!