rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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visita aos meios navais 1: Fragata Rademaker

Atravessamos a ponte Rio-Niterói para chegar ao Complexo Naval Mocanguê, onde ficam principalmente os navios que estão operando, embora a base também possa efetuar reparos de navios. O objetivo era conhecer uma fragata e a escolhida foi a Rademaker. Não por acaso: o comandante Brandão, que nos acompanhava na visita e que irá conosco à Antártica, serviu por cinco anos nesse navio.

Uma fragata é um potente navio de guerra: contém diversos dispositivos de combate, como mísseis, torpedos, metralhadoras e baterias antiaéreas. A fragata Rademaker é um navio inglês de médio porte que foi incorporado à marinha brasileira em 1987. Trata-se de um navio de escolta, ou seja, navega protegendo outros navios, como um porta-aviões ou um navio de transporte de tropas.

Esse navio foi construído pelos ingleses para combater submarinos e operou na Guerra das Malvinas. A herança inglesa está registrada na praça de armas do navio: há uma réplica exata do “machado” de combate que William Wallace usou na guerra de independência da Escócia (quem assistiu ao filme “Coração Valente” deve se lembrar). Na Inglaterra, o navio era chamado de Battlewaxe. Em tempo: a praça de armas está presente nas diversas instalações da Marinha. Antigamente, as armas eram guardadas numa sala fechada a que somente os oficiais tinham acesso, de forma a dificultar o motim por parte dos marinheiros (vamos lembrar que a Marinha Brasileira é uma instituição que já atravessou séculos e antes os marinheiros eram recrutados de maneira um tanto forçada e entre eles havia bandidos e cia). Hoje, a chamada praça de armas é o local em que os oficias se reúnem, fazem refeições etc.

A Rademaker tem mais de 130 metros de comprimento e abarca uma população de 21 oficiais e 225 praças. Não usa motor para propulsão, apenas para geração de energia. A propulsão é por turbinas, como num avião. O arsenal de guerra impressiona (ao menos aos leigos como eu): são 4 mísseis exocet, 12 mísseis antiaéreos tipo seawolf, 2 radares (sendo um para detecção de aeronaves), um despistador, um canhão para defesa antiaérea, uma metralhadora, torpedos anti-submarinos, lancha para abordagem de outros navios e um hangar que propicia operação de dois helicópteros.

A principal função de um navio como esse é de defender o país de ameaças externas. Assim, é usado não só para exercícios, como também para patrulhamento da nossa plataforma continental. Pode ocorrer ainda de ser recrutado para funções subsidiárias, como auxiliar a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas ou de armas. Um exemplo de atuação secundária é o que vai ocorrer agora na Copa do Mundo: esse navio vai para Salvador ajudar na segurança do evento nessa cidade.

Acabamos não fotografando o interior do navio em respeito à placa que destacava a proibição de registros em área militar. Só depois é que conversamos com o comandante Brandão e fomos liberados para isso… Seguem então algumas das fotos externas que fizemos já na saída da embarcação. A segunda foto mostra parte do navio que atravessamos para chegar até o Rademaker, que estava ancorado atrás dele.

fragatas fragata2

Quando um navio como esse não está mais operando, pode ser vendido para alguma empresa que reutiliza a lataria. Antes, essa irá serrar o navio para facilitar o transporte, como retratado na foto a seguir. Ou também pode ser usado como alvo em algum exercício de combate. Nesse caso, retira-se todo o óleo do navio antes que seja abatido até afundar. Sua carcaça então servirá como estrutura para crescimento de recifes de corais.

afundar

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