rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.

características gerais da Antártica

2 Comentários

Estamos quase chegando lá! Mas antes de colocar os pés no continente gelado, vamos fazer a lição de casa e revisar algumas informações sobre a Antártica aprendidas no treinamento e também lidas no “Manual do participante de Operações Antárticas” que recebemos.

O Continente Antártico tem aproximadamente 14 milhões de quilômetros quadrados quase totalmente recobertos de gelo. É rodeado pelo Oceano Austral, formado pelo encontro dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, e representa cerca de 10% de todos os oceanos (mais neste vídeo da Comissão Interministrial para Recursos do Mar).

O mais frio dos continentes interfere no clima de diversas regiões do globo – “é a fábrica de frentes frias”, como resumiu o Comandante Brandão em sua palestra no Treinamento Pré-Antártico. Além disso, é ali que está o maior manto de gelo do mundo, correspondendo a cerca de 90% da água doce do planeta. O continente gelado abriga ainda o arquivo da história climática do planeta, que pode ser estudada a partir da coleta de amostras de gelo com gases aprisionados.

Além das circulações atmosféricas, a Antártica controla as circulações oceânicas, de forma que os fenômenos de ressurgência que são observados, por exemplo, em Cabo Frio – RJ, decorrem de correntes marítimas frias advindas da Antártica. É ainda o continente mais alto de todos, com uma média de 2300m. Mais informações aqui.

Na vista de ontem ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, aprendemos ainda que, no período Cretáceo, a Antártica era coberta por florestas densas, inclusive com plantas tropicais. Que diferença do ambiente terrestre de hoje restrito a musgos e líquens! Isso porque a Antártica era ligada ao que hoje conhecemos por África e América de um lado e, por outro, ao que hoje conhecemos por Austrália. Estamos falando de mais de 150 milhões de anos atrás! Pouco depois, há cerca de 94 milhões de anos, a Antártica já havia se separado da África e da América, mas ainda estava parcialmente ligada à Austrália. Somente há 14 milhões de anos é que essa parte da Terra chegou à configuração que temos hoje.

Os mapas abaixo, do Paleomap Project, são os mesmos usados na exposição do museu, que citava como referência “Scotese, 2009”. No site do projeto há mais mapas e algumas informações sobre o processo de deriva continental.

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Também aprendemos na visita ao museu que alguns locais, como a Antártica e os desertos, são mais favoráveis à descoberta de meteoritos, já que as condições climáticas ajudam a preservá-los. Até meteoritos provenientes de Marte já foram encontrados por lá.

Por fim, é interessante destacar que, apesar da proteção internacional que impede a exploração direta dos recursos do continente, esse tem sofrido agressões ambientais nas últimas décadas. Como se trata de região com ecossistemas particularmente frágeis, observa-se muita susceptibilidade à destruição da Camada de Ozônio (boa notícia recente aqui ) e ao Aquecimento Global.

A presença de 176 tipos de minerais, de grandes lençóis de gás natural (e, provavelmente, petróleo) e de água acirra os interesses econômicos na região. Como explicado anteriormente, até 2048 esses recursos não podem ser explorados. Mas o que irá ocorrer após isso? Haverá uma renovação do Tratado Antártico garantindo que esse seja um continente para a ciência e para a paz?

Essas questões econômicas se juntam a outras de forma a justificar o esforço brasileiro em se manter no continente gelado. Por exemplo, há interesses políticos, como o fato de o estreito de Drake propiciar uma passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico, configurando uma rota alternativa de comunicação com o Oriente além do Canal do Panamá. Há também interesses militares, como o desenvolvimento da capacidade de realizar apoio logístico a grandes distâncias e de realizar operações em áreas inóspitas.

Enfim, tudo associado ao continente gelado é grandioso. Também é grande nossa ansiedade de finalmente desembarcarmos nele!

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Autor: trnahas

Tatiana Nahas é bióloga com mestrado em Neurociências e especialização em Divulgação Científica. Seu interesse é a comunicação da ciência, tanto por meio do ensino, quanto via divulgação da ciência.

2 pensamentos sobre “características gerais da Antártica

  1. Tati, eu como geografa , amante da geografia física, apesar da minha especialização em humanas, adorei o seu post e confesso que muito aprendi. A sua clareza em exlpicar com detalhes e muita didática você mostra de fato a sua especialização em divulgação científica. Parabéns.
    Ciça

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  2. Tati, o blog está excelente. Nài tinha idéia da importância da Antartida e muito menos do trabalho que dá a preparação e o treinamento de uma expedição para lá……
    Tenho acompanhado os textos de vocês e estão ótimos.
    A natureza é mesmo fantástica, imagino a sensação incrível que deve ter sido ficar dentro daquela casa que é uma arvore ou uma árvore que é uma casa….
    Um beijo e até a próxima visita!!!

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