rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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parceiros de Antártica

Logo que ficamos sozinhas no voo em direção ao Rio de Janeiro, nos primeiros minutos da viagem, a Tamara comentou: “será que os outros ganhadores são legais?”. A resposta veio no primeiro momento todos juntos (já relatado aqui). E durante toda a viagem a afinidade só fez aumentar, ao ponto de até o Tenente Rodrigo comentar que o grupo tão bacana foi um toque a mais na jornada.

Somos bastante diferentes um do outro, mas funcionamos bem juntos, o que realmente tornou a viagem ainda mais especial. E só faz aumentar a vontade da possibilidade de retorno à Antártica virar realidade. Nos posts anteriores contei um pouco sobre algumas personagens marcantes ao longo de nossa empreitada, agora é hora de homenagear um pouco nossos queridos parceiros de emoções Antárticas.

Grupo completo junto ao Hércules e à equipe da FAB na saída do Rio de Janeiro rumo a Pelotas.

Grupo completo junto ao Hércules e à equipe da FAB na saída do Rio de Janeiro rumo a Pelotas.

1- dupla pernambucana

Valdemir e Alvaro, sempre empunhando a bandeira pernambucana, desta feita no barco rumo à Marambaia.

Valdemir e Alvaro, sempre empunhando a bandeira pernambucana, desta feita no barco rumo à Marambaia.

O Valdemir era o mais calado frente às câmeras do Fantástico, mas se mostrava divertido e companheiro longe delas. E o Alvaro era o rei da foto do grupo – muitas das fotos desse post aconteceram graças à sua insistência em capturar alguns momentos marcantes. Sem contar que o repertório de histórias de Alvaro é tão infinito quanto hilário! A dupla de Saloá não perdia uma chance de esticar a bonita bandeira pernambucana por onde passasse. Mais sobre a dupla nesta notícia direto do agreste pernambucano e nesta outra no portal da Marinha.

Grupo todo na pista de pouso e decolagem do porta-aviões São Paulo.

Grupo todo na pista de pouso e decolagem do porta-aviões São Paulo.

2- dupla gaúcha

Elias e Rafael em frente ao submarino Tapajó

Elias e Rafael em frente ao submarino Tapajó

Elias era o mais jovem do grupo e foi quem sofreu comigo no exercício do bote. Rafael é professor de física e tem uma ótimo canal de videoaulas no You Tube: a Torre. Juntos, seguiram a missão de registrar tudo o que vivenciaram na viagem, empunhando sempre câmeras, microfone, tripé e cia. Algumas imagens do Rafael ficaram tão bacanas que até o pessoal do Fantástico pediu cópia para usar na reportagem final. Mais sobre a dupla nesta matéria do G1.

Nós todos junto com o contra-almirante Silva Rodrigues, idealizador do concurso, e da equipe do Fantástico que nos acompanhou boa parte da viagem.

Nós todos junto com o contra-almirante Silva Rodrigues, idealizador do concurso, e da equipe do Fantástico, que nos acompanhou boa parte da viagem.

3- dupla de Barbacena

Mantovani e Vanessa com o Brigadeiro Ismailov.

Mantovani e Vanessa com o Brigadeiro Ismailov.

Mantovani como nome de guerra e Matheus para os colegas de viagem – o aluno da escola de cadetes da aeronáutica é dedicado em tempo integral, realmente envolvido com seu objetivo de se tornar um piloto de caça na FAB. É também ótima pessoa para se conversar sobre assuntos diversos; apesar da pouca idade, tem muita cultura geral. Um pouco mais sobre ele nessa matéria no G1. E a Vanessa ficou sendo nossa consultora particular para assuntos militares, pacientemente explicando tudo sobre os postos, a hierarquia, os uniformes e cia. É surpreendente ver o quanto ela adora esse universo!

Todos nós de partida da Antártica. Foi pouco, mas fomos!

Todos nós de partida da Antártica. Foi pouco, mas fomos!

 

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visita aos meios navais 3: Navio-aeródromo São Paulo

Um navio-aeródromo é um porta-aviões. O São Paulo é o único da América Latina. O maior navio da frota brasileira tem 266 metros de comprimento, 51.2 metros de largura e pode transportar 2300 tripulantes. É o extremo oposto do submarino, onde tudo é compacto.

Almoçamos na praça de armas com o comandante e depois circulamos por parte dos 16 andares do imenso navio aprendendo um pouco sobre sua operação e também algumas curiosidades. Por exemplo: em caso de operação que envolva o São Paulo, ele será o navio capitâneo, ou seja, aquele que terá a bordo o almirante que estiver comandando a operação.

O São Paulo foi comprado da França em 2000, quando esse país fez a troca por um porta-aviões nuclear (e então voltamos ao ponto do nuclear versus diesel, já discutido no post anterior). Pode consumir até 300 mil litros de diesel por dia! O diesel é usado para aquecer uma caldeira e o vapor d’água liberado é que movimenta os diversos mecanismos do navio.

Como tudo nesse navio é superlativo, o melhor jeito de compartilhar um pouco de nossas impressões é mostrando alguns detalhes dos 16 andares que o compõem. Não sem antes destacar que no final da visita fomos agradavelmente surpreendidos com um presente: cada um de nós recebeu uma foto do grupo na pista de pouso e o grupo recebeu um DVD com registros da nossa visita e alguns vídeos da operação regular do navio. O setor de comunicações do São Paulo acompanha a grandiosidade do restante da embarcação!

visão a partir do periscópio

visão a partir do periscópio

na cabine de comando

equipamento na cabine de comando

no timão

no timão

a partir da pista de pouso e decolagem, vista da Ilha da Enxada, onde se formam os oficiais da Marinha

a partir da pista de pouso e decolagem, vista da Ilha da Enxada, onde se formam os oficiais da Marinha

visão a partir da cabine de comando

visão a partir da cabine de comando

do outro lado da pista de pouso e decolagem

do outro lado da pista de pouso e decolagem

hangar

hangar

hangar

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visão da cabine de comando


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visita aos meios navais 2: Submarino Tapajó

Retornamos ao Rio de Janeiro para visitar o Arsenal de Marinha, que fica situado em uma ilha próxima à Praça Mauá. Lá, primeiramente visitamos o terceiro submarino construído no Brasil, o Tapajó.

Fiquei curiosa a respeito da nomeação das embarcações e então soube que isso é uma decisão do almirantado e refere-se a uma localização geográfica (como é o caso do submarino Tapajó, que se refere ao rio), a alguma figura importante da marinha (como é o caso da fragata Rademaker, que se refere ao almirante de mesmo nome que foi vice do presidente Costa e Silva), ou a algo marcante na história da Marinha (como é o caso do porta-aviões São Paulo, tema do próximo post, que foi nomeado em homenagem ao encouraçado São Paulo).
Para um leigo, o que mais impressiona num submarino é a grande compactação. Cada centímetro da embarcação está ocupado com algo. O teto é baixo e os corredores são estreitos. Há tubos, válvulas e interruptores por toda parte. Os locais de refeições seguem o mesmo esquema de aperto e as camas empilhadas lembram os beliches dos sete anões da Branca de Neve.

tapajo-comando tapajo-aperto

A principal função de um submarino é o ataque torpédico – o Tapajó possui 3 torpedos. Como atividades secundárias, também pode atuar no lançamento de minas ou na investigação via fotos periscópicas.

A propulsão do Tapajó é diesel-elétrica, ou seja, o diesel é usado para alimentar baterias que acionam a parte elétrica. Há um sistema chamado snorkel que, como o do equipamento de mergulho, é um longo tubo que recebe ar; nesse caso, o ar é para combustão do motor. Quando precisa reabastecer de ar, o submarino fica a uma profundidade de 15 m, suficiente para essa entrada de ar. E a descarga desse ar embaixo d’água é por difusores, garantindo a não detecção do submarino por formação de bolhas.

Passar despercebido é fundamental para um submarino. Curiosamente, essa parece ser a única desvantagem dos submarinos nucleares, já que o reator emite certo ruído. Mas foram bem destacadas na nossa visita as vantagens de um submarino nuclear: como é o reator que fornece energia para a movimentação, a autonomia é muito maior. Na verdade, o único fator limitante será a capacidade da tripulação de permanecer submersa por longo tempo – em países que usam submarinos nucleares costuma-se ficar por volta de 3 meses. Além disso, a propulsão do motor no submarino nuclear é muito mais forte, propiciando viagem a longas distâncias, que seria o ideal para um país de dimensões continentais como o Brasil, segundo nos relataram. Sem contar a não-emissão de gás carbônico para a atmosfera.


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visita aos meios navais 1: Fragata Rademaker

Atravessamos a ponte Rio-Niterói para chegar ao Complexo Naval Mocanguê, onde ficam principalmente os navios que estão operando, embora a base também possa efetuar reparos de navios. O objetivo era conhecer uma fragata e a escolhida foi a Rademaker. Não por acaso: o comandante Brandão, que nos acompanhava na visita e que irá conosco à Antártica, serviu por cinco anos nesse navio.

Uma fragata é um potente navio de guerra: contém diversos dispositivos de combate, como mísseis, torpedos, metralhadoras e baterias antiaéreas. A fragata Rademaker é um navio inglês de médio porte que foi incorporado à marinha brasileira em 1987. Trata-se de um navio de escolta, ou seja, navega protegendo outros navios, como um porta-aviões ou um navio de transporte de tropas.

Esse navio foi construído pelos ingleses para combater submarinos e operou na Guerra das Malvinas. A herança inglesa está registrada na praça de armas do navio: há uma réplica exata do “machado” de combate que William Wallace usou na guerra de independência da Escócia (quem assistiu ao filme “Coração Valente” deve se lembrar). Na Inglaterra, o navio era chamado de Battlewaxe. Em tempo: a praça de armas está presente nas diversas instalações da Marinha. Antigamente, as armas eram guardadas numa sala fechada a que somente os oficiais tinham acesso, de forma a dificultar o motim por parte dos marinheiros (vamos lembrar que a Marinha Brasileira é uma instituição que já atravessou séculos e antes os marinheiros eram recrutados de maneira um tanto forçada e entre eles havia bandidos e cia). Hoje, a chamada praça de armas é o local em que os oficias se reúnem, fazem refeições etc.

A Rademaker tem mais de 130 metros de comprimento e abarca uma população de 21 oficiais e 225 praças. Não usa motor para propulsão, apenas para geração de energia. A propulsão é por turbinas, como num avião. O arsenal de guerra impressiona (ao menos aos leigos como eu): são 4 mísseis exocet, 12 mísseis antiaéreos tipo seawolf, 2 radares (sendo um para detecção de aeronaves), um despistador, um canhão para defesa antiaérea, uma metralhadora, torpedos anti-submarinos, lancha para abordagem de outros navios e um hangar que propicia operação de dois helicópteros.

A principal função de um navio como esse é de defender o país de ameaças externas. Assim, é usado não só para exercícios, como também para patrulhamento da nossa plataforma continental. Pode ocorrer ainda de ser recrutado para funções subsidiárias, como auxiliar a Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas ou de armas. Um exemplo de atuação secundária é o que vai ocorrer agora na Copa do Mundo: esse navio vai para Salvador ajudar na segurança do evento nessa cidade.

Acabamos não fotografando o interior do navio em respeito à placa que destacava a proibição de registros em área militar. Só depois é que conversamos com o comandante Brandão e fomos liberados para isso… Seguem então algumas das fotos externas que fizemos já na saída da embarcação. A segunda foto mostra parte do navio que atravessamos para chegar até o Rademaker, que estava ancorado atrás dele.

fragatas fragata2

Quando um navio como esse não está mais operando, pode ser vendido para alguma empresa que reutiliza a lataria. Antes, essa irá serrar o navio para facilitar o transporte, como retratado na foto a seguir. Ou também pode ser usado como alvo em algum exercício de combate. Nesse caso, retira-se todo o óleo do navio antes que seja abatido até afundar. Sua carcaça então servirá como estrutura para crescimento de recifes de corais.

afundar


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muitos prêmios!

Hoje visitamos três meios navais distintos: uma fragata, um submarino e um porta-aviões. Foi um dos dias mais inesperados de toda a viagem até agora. Embora o passeio já estivesse no programa original, jamais imaginaríamos que pudesse ser tão emocionante e diferente de tudo que já vimos. A conclusão óbvia é que o prêmio do concurso, na verdade, são muitos prêmios!

Já voamos de helicóptero sobrevoando a Ilha da Marambaia. Já ficamos hospedadas no hotel de trânsito de oficiais lá no CADIM e também dividimos espaço com atletas olímpicos no CEFAN. Já visitamos diversos pontos interessantes do Rio de Janeiro, como o Jardim Botânico, o Museu Nacional e o Palácio do Catete. Já conhecemos por dentro três embarcações completamente distintas (detalhes nos próximos posts!). Já conversamos com sargentos, tenentes, comandantes e até um contra-almirante ouvindo suas histórias de escolha profissional e um pouco de seu cotidiano de operações (mais detalhes em breve numa série de posts chamada “personagens” que teremos aqui no blog). Amanhã (dia do aniversário da Tamara!) embarcaremos num Hércules da FAB. E então iniciaremos nossa próxima etapa rumo à Antártica, viagem que até mesmo marinheiros muito experientes e já com bastante tempo de serviço ainda não tiveram a oportunidade de realizar. Sem dúvida, somos privilegiadas e muito gratas pelos prêmios todos!