rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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conseguiram!

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Está reconhecendo alguém na foto acima? Pois é, eles conseguiram! A Tamara me contou na semana passada, toda feliz, que dessa vez foram bem sucedidos na empreitada. Na foto, os alunos vencedores do concurso estão com pesquisadoras do projeto Mycoantar. Lembram que contei que estão construindo um relato fantástico sobre o projeto de pesquisa que estão desenvolvendo na Antártica? Pois é, os alunos vencedores do concurso tiveram a sorte de conhecer ao vivo e a cores um pouco do belo trabalho desses pesquisadores durante a estadia na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) e num dos navios de apoio.

Felizmente, esses pesquisadores acreditam numa ideia que venho defendendo desde que decidi me embrenhar na área da divulgação científica: a de que os cientistas podem ser ótimos contadores de histórias e, quando decidem casar o trabalho de divulgação científica com o trabalho de pesquisa, o resultado tende a ser extremamente prazeroso para o cientista e para o público. No final, trata-se de uma retomada à era dos cientistas contadores de histórias que está na base do surgimento da comunicação científica especializada, como já discuti um pouco aqui: com a palavra, o cientista – histórias da ciência narradas por seus protagonistas.

Vejam só que bacana o que os pesquisadores do Mycoantar vêm fazendo: graças ao esforço em registrar e divulgar cada etapa do seu processo de pesquisa, qualquer um pode acompanhar e aprender muito com eles. Vocês podem seguir cada passo da pesquisa no diário de bordo que estão escrevendo (onde, inclusive, podem ver um pouco da cara da EACF), podem aprender bastante sobre a biodiversidade de fungos na Antártica e sua aplicação potencial na indústria farmacêutica e outras (fungos & associados – parte 1 e parte 2; a bioprospecção de fungos na Antártica; prospecção de fungos filamentosos e leveduras), podem conhecer um pouco das técnicas de coleta do material biológico (fotos e descrições; vídeo da coleta de sedimentos marinhos com box corer), podem acompanhar a explicação, em linguagem acessível, das publicações científicas que já realizaram e ainda conhecer, no vídeo abaixo, a rotina de um pesquisador que coleta amostras de solo para análise de fungos na Antártica.

Não seria fantástico se muitos mais grupos de pesquisa trabalhassem dessa forma? O tanto de material que os professores teriam à disposição para usar em sala de aula e despertar mais jovens para as carreiras científicas… É tentando contribuir uma pouco com isso que, junto com outros professores (o Álvaro é um deles, mas também colegas da escola em que trabalho e muitos outros professores ), decidi iniciar uma nova etapa da jornada em parceria com a Associação de Pesquisadores e Educadores em Início de Carreira sobre o Mar e os Polos (APECS-Brasil). Desde nossa participação na I Oficina de Formação ocorrida em setembro, estamos trabalhando no desenvolvimento de materiais didáticos a partir de pesquisas científicas que se desenrolam nos polos e nos mares. A expectativa é que cada grupo de trabalho já tenha algumas atividades para compartilhar, gratuitamente e aberto a todos via o site da APECS-Brasil, na próxima Semana Polar Internacional.

Penso que a divulgação dessa jornada via o programa Fantástico da Rede Globo (com veiculação prometida para depois do Carnaval) é uma ótima forma mostrar ao público em geral que existe a EACF, um pouco de seus propósitos e como se dá o apoio da Marinha e da FAB para que ocorram as pesquisas científicas por lá. Mas é bastante insuficiente, até por conta de seus objetivos, para abranger um pouco do teor das pesquisas e contribuir efetivamente para a divulgação e educação científicas. Nesse sentido, a Marinha deu um péssimo passo em falso ao excluir os professores vencedores do concurso da ida à EACF. Ainda bem que há alguns poucos grupos de pesquisa como o Mycoantar, empenhados na ampla e qualificada divulgação do trabalho que realizam, e exceções como a APECS-Brasil, que se vira com a pouca verba conquistada para fazer a ponte entre produção científica e o ensino de ciências.