rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.

personagens (1): Brandão, William e Christino

2 Comentários

Comandante Brandão

O Comandante Brandão dando esxplicações aos alunos vencedores do concurso ao lado de fragatas ancoradas no Complexo Naval Mocanguê

O Comandante Brandão dando explicações aos alunos vencedores do concurso ao lado de fragatas ancoradas no Complexo Naval Mocanguê durante nossa vista à Fragata Rademaker.

Mario Luis Machado Brandão, o Comandante Brandão, é capitão-de-fragata. Ele foi nosso primeiro contato nos preparativos para a viagem nos dando as boas vindas para a empreitada que estava prestes a se iniciar. Foi ele quem coordenou a missão de nos propiciar o treinamento pré-antártico e, posteriormente, nos levar à Antártica. Também nos conduziu na visita aos meios navais, inclusive contando que havia servido por cinco anos na fragata que visitamos.

Durante o treinamento pré-antártico no Cadim, palestrou sobre as características do continente antártico e sobre a estrutura da estação brasileira (EACF). Sua última missão por lá foi das mais difíceis para quem está ligado ao Proantar já há algum tempo: ele comandou a operação de desmonte da estação após o incêndio que a destruiu em 2012. O desafio era grande: a remoção total dos destroços (seguindo as determinações do Tratado Antártico), o empacotamento para transporte ao Brasil via navio e a instalação dos Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs) em cima do antigo heliporto.

A Operação Antártica XXXI foi a maior operação logística realizada pelo governo brasileiro na Antártica. Envolveu cinco navios e só pode ser iniciada após a remoção de 60 mil metros cúbicos de neve. O Comandante Brandão nos contou com orgulho que o trabalho foi elogiado pela comitiva internacional de inspeção composta por ingleses, holandeses e espanhóis (pelo Tratado Antártico, um país pode fiscalizar a atuação de outro no continente austral a fim de verificar se está seguindo o acordado no tratado. No caso em que havia grande risco de contaminação ambiental, a inspeção era até esperada).

Para quem já se envolveu em missões desse porte de complexidade, levar alunos do ensino médio à Antártica é, no mínimo, bastante diferente. E o comandante pode se orgulhar de ter cumprido mais uma missão com sucesso!

Sub-oficial William

William comigo no barco que nos trouxe de volta ao Rio de Janeiro após o trienamento pré-antártico na Marambaia.

William comigo no barco que nos trouxe de volta ao Rio de Janeiro após o treinamento pré-antártico na Marambaia.

William Souza, o sub William, é uma pessoa adorável. Conversamos pouco entre uma atividade e outra no Cadim, mas foi o suficiente para passar a admirá-lo. Em paralelo ao trabalho na Marinha (de que gosta muito, somente não encarando os submarinos), está cursando a pós-graduação na Faculdade de Educação da UERJ. Contou-nos que decidiu prestar vestibular aos 37 anos de idade após quase 20 anos sem estudar. E, apesar de já ter mudado de faculdade algumas vezes por conta das missões que recebe em locais distintos do país, agora está firme na finalização de seu projeto de pesquisa sobre o uso de softwares livres na educação de jovens e adultos (EJA).

Foi muito bacana trocar algumas breves ideias sobre educação com ele e saber mais sobre um problema que, embora óbvio, ainda não apresenta solução pela falta de material adequado. Em sua pesquisa, observou que um dos grandes problemas da EJA é não contemplar as experiências de vida dos alunos e isso se reflete nas queixas dos alunos em relação aos materiais utilizados. Por exemplo, grande parte dos aplicativos e outros materiais desenvolvidos para alfabetização são pensados para crianças e para quem já tem certa idade é desestimulante aprender usando isso. Assim, William está à caça de bons aplicativos em português que possam ser disseminados nas diversas atividades de EJA.

Sub-oficial Christino

O sub Christino dando instruções para a Tamara e o Rafael realizarem a atividade do bote no segundo dia do treinamento pré-antártico.

O sub Christino dando instruções para a Tamara e o Rafael realizarem a atividade do bote no segundo dia do treinamento pré-antártico.

Christino foi quem nos conduziu na parte do treinamento pré-antártico que versava sobre locomoção em embarcações miúdas. Mas foi na noite anterior que conheci o mergulhador Alexandre da Silva Christino no hotel de trânsito de oficiais na Ilha da Marambaia (HT). Ele adora conversar e contar histórias de sua invernada na Antártica. Quem me conhece vai ter dificuldade em acreditar que praticamente não abri a boca durante quase duas horas de conversa, tão interessantes e intensos eram seus relatos. Deixou-me cheia de vontade de estar na Antártica!

Ele parecia ter adivinhado que sou uma bióloga especialmente apaixonada por mamíferos marinhos, pois me contou muitas histórias de avistagens de focas e baleias, dando especial ênfase à foca-leopardo, temida pelos marinheiros principalmente durante os deslocamentos por bote.

Christino adora fotografar e filmar. Contou já ter brigado com alguns colegas de invernada que o questionavam quando saía de câmera em punho para, pela enésima vez, registrar o pôr-do-sol ou algum agrupamento de pinguins. E divertiu-se contando que muitas vezes programava com alguns colegas montagens fotográficas brincalhonas, como a vez em que colocaram uma das mesas de trabalho do lado de fora da estação e então ficaram somente de camiseta e calça leve simulando estarem trabalhando no frio tão tranquilamente quanto se estivessem no calor do Rio de Janeiro.

O inverno é intenso no continente antártico e o isolamento por longo tempo em relação a familiares e amigos não é situação fácil. Por mais que parte do tempo seja ocupada com o trabalho de manutenção da estação, manter o humor e a criatividade são fundamentais. E Christino parece não ter problema algum com isso!

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Autor: trnahas

Tatiana Nahas é bióloga com mestrado em Neurociências e especialização em Divulgação Científica. Seu interesse é a comunicação da ciência, tanto por meio do ensino, quanto via divulgação da ciência.

2 pensamentos sobre “personagens (1): Brandão, William e Christino

  1. Olha, Tati, difícil mesmo de acreditar em você caladinha por duas horas.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi mana, você calada por duas horas é algo incrível de acontecer. Só mesmo estando na Antartida para ocorrer isto.

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