rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.


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para onde vamos afinal?

Sempre que conto para um amigo ou parente sobre a viagem que estamos prestes a realizar, a pergunta surge: Antártica ou Antártida?

A página do concurso da Marinha fala o tempo todo em Antártica. Mas na do organograma do Ministério das Relações Exteriores consta a Divisão de Mar da Antártida e do Espaço dentro do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais, que é uma unidade da Subsecretaria-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia. E então, para onde vamos afinal?

Os sites de linguistas apontam que as duas grafias são corretas. Mas até algum tempo usava-se Antártida como substantivo, o nome próprio do continente, e antártico ou antártica como adjetivo correspondente a esse continente. Ou seja, vamos para a Antártida e navegaremos por mares antárticos.

E por que houve essa mudança? Alguns defendem que trata-se de um anglicismo, já que nossas línguas irmãs usam termos parecidos com Antártida, como em italiano, em que se fala “Artartide”. Há quem diga que o termo Antártida é uma confusão com a mítica Atlântida. Outros garantem que o termo Antártica é o que contém melhor sentido etimológico, uma vez que o termo em latim antarcticus, “austral”, é derivado do grego anti + arctikós, ou seja, o que se opõe ao ártico (de Árktos, Ursa, em referência às constelações assim chamadas).

Neste texto, descobri que essa já foi uma das mais acaloradas discussões na Wikipedia para construção do verbete sobre o continente gelado – veja aqui. Mas a melhor explicação que encontrei foi no blog de uma amiga querida, a bióloga e jornalista Maria Guimarães. Seu pai foi quem propôs, em 1985, a criação da Divisão de Mar da Antártida e do Espaço, mencionada acima, a qual chefiou até 1987. Isso depois de ter sido um dos três primeiros brasileiros a pisar no solo antártico, quando participou da primeira expedição brasileira à Antártida em 1982/1983. Segundo ele, Antártida é a denominação que consta nos tratados assinados pelo Brasil e ele defende a diferenciação entre substantivo e adjetivo indicada acima.

O pai da Maria é o embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares, recém empossado como Secretário-Geral do Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e Caribe (OPANAL). Ele participou do início do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), fundado em 1982. O curioso é que o Proantar, a cargo da Marinha do Brasil, usa a denominação Antártica, inclusive para se referir aos tratados, como o Tratado da Antártica.

Ou seja, a dúvida permanece! Já temos, então, uma primeira pergunta para o Comandante Brandão, encarregado da divisão de Logística do Proantar e que irá conduzir nossa viagem. E você, tem alguma curiosidade que gostaria de satisfazer a respeito do continente gelado? Indique nos comentários que tentaremos descobrir ao longo da viagem!

Fac-simile do Tratado da Antártida, firmado em 1959 para garantir que o continente seja protegido e estudado em função dos interesses da humanidade. Registro feito durante visita à exposição Túnel da Ciência em jan/2014. Clique na imagem para vê-la aumentada.

Fac-simile do Tratado da Antártida, firmado em 1959 para garantir que o continente seja protegido e estudado em função dos interesses da humanidade. Registro feito durante visita à exposição Túnel da Ciência em jan/2014. Clique na imagem para vê-la em tamanho maior.