rumo à Antártica

Vencedoras do concurso "O Brasil na Antártica" relatam suas experiências na viagem rumo à Antártica.

no HT

5 Comentários

O local em que estamos é surpreendente! A beleza natural deste canto do litoral é ocupada por um comportamento humano bastante diferente do que estamos acostumadas. Enquanto do lado de cá da montanha da Marambaia estamos sendo paparicadas e preparadas para a incursão à Antártica, dizem que do lado de lá da montanha há muitos em adestramento pesado. O termo usado é esse mesmo: adestramento.

O CADIM aqui na Marambaia é dividido em duas áreas: o centro de avaliação e o centro doutrinário. E é como se fosse uma mini-cidade: tem uma escola municipalizada, igreja, casas ocupadas pelos militares durante o tempo que estão servindo e um hotel de trânsito (HT, como é chamado, porque aqui tudo são siglas). O HT, que é onde estamos hospedadas, foi adaptado a partir de uma senzala. Na verdade, era onde funcionava um entreposto de escravos da Família Breves. Os escravos eram primeiramente levados para o lado de lá da montanha, onde ficavam em quarentena. Quando estavam prontos para a venda, passavam para o lado de cá, de onde seguiam para a rota do ouro do Rio de Janeiro, principalmente Paraty e Angra dos Reis.

As paredes do HT foram restauradas e exibem a estrutura original, ainda com óleo de baleia. Ao lado do espaço de convivência, onde nos confraternizamos com os oficiais no primeiro dia num longo e interessante bate-papo noturno, há uma “casa da árvore”. Mais correto seria dizer a árvore com casa. A casa era do capitão-do-mato, então localizada ao lado da senzala, e a árvore foi crescendo e, com o passar dos anos, se entremeando pela casa, que manteve sua estrutura original formando uma figura ímpar.

Com o fim da escravidão, alguns anteriormente escravos permaneceram na região e hoje há 94 famílias quilombolas na parte da Marinha da Ilha da Marambaia (que também abriga centros de treinamento da Aeronáutica e do Exército, mas em outras partes). Nos disseram que todas as famílias foram removidas da área de adestramento.

O silêncio do local é um prêmio para quem está acostumado a despertar numa São Paulo sempre barulhenta. É como um acampamento de férias numa ilha paradisíaca. Não fosse estarmos obrigatoriamente usando calça de abrigo e tênis no calor tropical, bem seria.

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Autor: trnahas

Tatiana Nahas é bióloga com mestrado em Neurociências e especialização em Divulgação Científica. Seu interesse é a comunicação da ciência, tanto por meio do ensino, quanto via divulgação da ciência.

5 pensamentos sobre “no HT

  1. Meninas, adorei essa casa “devorada” pela árvore. No Camboja há algo bem parecido com isso. Que legal. Aproveitem. Bj. W

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  2. Que sensacional. Estou acompanhando todos os dias. Você é brilhante em seus comentários.
    Sem palavras.
    Cecília

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  3. Tati…tou te sentindo de longe…Desejando que a amplidão deste-mundo-de-meu-Deus te invada a alma !

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  4. Querida filha, esse blog de acompanhamento da viagem está demais. É uma delícia acompanhar as etapas, passo a passo. Desejo-lhes toda felicidade nessa empreitada. Bjs.

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  5. Oi mana, que sensacional tudo isto. Li todos os posts e estou achando bem legal. Beijos

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